"Tarjar" um dado em um documento significa torná-lo visualmente ilegível através de uma cobertura permanente — a famosa tarja preta. É uma prática que advogados já conhecem bem dos processos judiciais: o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e vários tribunais exigem a tarja de CPF, RG e outros dados pessoais em documentos publicados nos sistemas de processo eletrônico.
Com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), essa prática deixou de ser exclusiva do mundo jurídico e passou a ser uma obrigação para qualquer profissional ou empresa que compartilha documentos contendo dados pessoais de terceiros.
O que significa "tarjar" e por que a forma importa
Tarjar (ou redigir, do inglês redact) significa cobrir permanentemente um trecho de um documento de modo que o conteúdo original não possa ser recuperado.
Aqui está o ponto crítico que muita gente erra: colocar uma caixa branca ou preta por cima do texto no PDF não é o mesmo que tarjar corretamente. Se o dado subjacente ainda existir no arquivo, qualquer pessoa pode:
- Copiar e colar o texto "encoberto" em outro editor
- Abrir o PDF em um leitor que ignora as sobreposições
- Remover a camada visual com ferramentas de edição
Uma tarja correta remove o dado original do arquivo, substituindo-o permanentemente por uma área opaca. Quando feita corretamente, o dado não pode ser recuperado por nenhum meio técnico.
🔴Erro comum
Não adianta colocar uma caixa preta desenhada por cima do CPF no Word e exportar como PDF. O texto original continua no arquivo e pode ser selecionado com Ctrl+A. Isso não é uma tarja — é uma ilusão de proteção.
Quando tarjar CPF é obrigatório
Em documentos processuais
A Resolução CNJ 121/2010 e o art. 189 do Código de Processo Civil estabelecem restrições à publicidade de documentos que contenham dados sensíveis. Na prática:
- Documentos juntados a processos físicos ou eletrônicos devem ter CPF, RG e dados bancários tachados nas cópias para partes adversárias e para publicação em diário oficial
- Sistemas como o PJe e o eProc têm configurações que automaticamente restringem o acesso, mas a responsabilidade pela tarja adequada dos documentos é do advogado que os junta
Na comunicação com terceiros
Pela LGPD, se você precisa compartilhar um documento que contém o CPF de uma pessoa para uma finalidade em que esse dado não é necessário, você deve tachá-lo. Exemplos:
- Enviar contrato de cliente para análise de cláusulas por um advogado externo: o CPF do cliente pode não ser necessário
- Compartilhar extrato bancário para fins contábeis: CPF completo pode ser substituído por CPF parcialmente mascarado
- Enviar dossiê de locação para o proprietário do imóvel: o número completo do CPF do locatário pode ser tachado após a aprovação do crédito
Em documentos publicados em diário oficial e portais de transparência
Órgãos públicos são obrigados a tarjar CPFs e dados pessoais em documentos publicados. A Lei de Acesso à Informação (LAI) e a LGPD, lidas em conjunto, exigem esse procedimento.
Documentos que frequentemente contêm CPF
| Documento | Onde o CPF aparece |
|---|---|
| Contratos | Qualificação das partes |
| Procurações | Outorgante e/ou outorgado |
| Extratos bancários | Cabeçalho do extrato |
| Holerites / contracheques | Dados do funcionário |
| Notas fiscais de pessoa física | Dados do tomador/prestador |
| Certidões (nascimento, casamento) | Campo de identificação |
| Documentos de identidade (RG/CNH) | Frente do documento |
| Laudos médicos | Dados do paciente |
| Fichas de admissão | Qualificação do funcionário |
| Declarações de IRPF | Dados do declarante |
O processo manual: por que é tão demorado
O processo correto para tarjar CPF manualmente em PDF requer um editor que suporte redação real — não apenas sobreposição visual. O Adobe Acrobat Pro tem essa funcionalidade, mas:
- Custa R$ 100 a R$ 150 por mês (assinatura individual)
- Exige treinamento para encontrar a função de redação (não é óbvia)
- Para múltiplos documentos, o processo deve ser repetido manualmente em cada um
- Não detecta automaticamente: você precisa selecionar manualmente cada CPF
Para um escritório que processa dezenas ou centenas de documentos por dia, isso representa horas de trabalho manual — e margem significativa para erro humano.
Como tarjar CPF automaticamente em PDF
O pdfbr oferece uma ferramenta que automatiza o processo:
- Você faz o upload do PDF
- O sistema detecta automaticamente CPFs, CNPJs e RGs no documento
- Aplica tarjas permanentes sobre cada dado identificado
- Você baixa o arquivo com os dados protegidos
O processamento acontece inteiramente no seu navegador — os documentos não saem do seu computador.
Tarjar CPF em PDF
Detecta e tarja automaticamente CPFs, CNPJs e RGs em documentos PDF. Processamento local — seus documentos nunca saem do seu navegador.
Tarjar CPF vs. mascarar CPF
São práticas distintas com finalidades diferentes:
Tarjar: remove o dado do documento. Usado quando o dado não deve aparecer de forma alguma para o destinatário.
Mascarar: exibe apenas parte do dado (por exemplo, ***.456.789-**). Usado quando o destinatário precisa saber que há um CPF mas não precisa do número completo.
Para fins de LGPD e uso em processos judiciais, a tarja é o padrão correto. O mascaramento é útil em sistemas e interfaces digitais onde a usabilidade exige exibir o campo, mas não o valor completo.
Tarja digital vs. tarja física
Antes da digitalização, tarjar significava literalmente usar um marcador permanente preto sobre o papel e então fotocopiar o documento. A cópia teria o dado irreversivelmente coberto.
O equivalente digital correto é a redação eletrônica: substituição permanente do conteúdo no arquivo PDF. Não é uma sobreposição visual — é a eliminação do dado original do arquivo.
✅Como verificar se a tarja foi feita corretamente
Abra o PDF tachado, tente selecionar a área da tarja com o cursor. Se conseguir selecionar ou copiar qualquer texto, a tarja não foi feita corretamente — o dado original ainda está no arquivo.
Outros dados que você deve tarjar além do CPF
Pela LGPD, todos os dados pessoais desnecessários para a finalidade da comunicação devem ser protegidos:
- RG e número de documento de identidade
- CNPJ de terceiros quando não relevante
- Dados bancários (número de conta, agência)
- Endereço completo quando apenas cidade/UF seria suficiente
- Data de nascimento quando não necessária
- Informações de saúde em qualquer contexto
Para documentos de RH que contêm dados de saúde (atestados, laudos admissionais), a proteção é ainda mais crítica — esses são dados sensíveis com regime jurídico mais restritivo na LGPD.
Perguntas frequentes
A tarja digital tem validade jurídica?
Sim, desde que feita corretamente (eliminação permanente do dado, não sobreposição). Em processos judiciais, documentos com tarjas eletrônicas adequadas são aceitos pelos tribunais.
Posso tarjar documentos assinados digitalmente?
Tarjar um documento com assinatura digital pode invalidar a assinatura, pois altera o arquivo. O correto é tarjar antes de assinar, ou usar uma cópia do documento (sem assinatura) para o compartilhamento externo tachado.
Preciso guardar o original sem tarja?
Sim. A versão tachada é criada para fins de compartilhamento externo. A versão original (com todos os dados) deve ser mantida conforme sua política de retenção interna, com os controles de acesso adequados.
O que é a ferramenta de redação do Adobe Acrobat?
O Adobe Acrobat Pro tem a ferramenta "Redigir" (em inglês, Redact) que faz corretamente a substituição permanente do conteúdo. É diferente de simplesmente desenhar sobre o texto. O pdfbr oferece o mesmo resultado, sem custo de assinatura mensal e sem enviar o arquivo para servidores externos.